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Joshua bell

por wcyl, em 09.11.12

 

Numa fria sexta-feira de Janeiro de 2007 chegou a uma estação do Metro em Washington um homem com um violino. Vestia uma t-shirt comprida, umas calças de ganga e na cabeça usava um normal boné de basebol. Colocou o estojo do violino no chão com algum dinheiro a servir de isco e preparou-se para tocar.

 

Eram 7:50 da manhã e nos 45 minutos seguintes aquele músico ia tocar seis peças clássicas. Durante esse período aproximadamente 2 mil pessoas passariam naquele local a caminho do trabalho.

 

Três minutos após começar a tocar um senhor de cerca de 45 anos percebeu que havia alguém a tocar e diminuindo o passo parou por alguns segundos voltando de seguida ao ritmo anterior.

 

Aos quatro minutos o homem recebeu o seu primeiro dólar. Uma mulher atirou o dinheiro para a caixa do violino e continuou a andar sem parar.

Aos seis minutos, um jovem apoiou-se na parede para o ouvir. Passados uns segundos olhou para o relógio e começou a andar.

Dez minutos depois um menino de três anos parou, mas a mãe puxou-o com pressa para continuarem. O menino parou novamente para ouvir o violinista e a mãe voltou a puxa-lo com mais força. Sempre a olhar para trás, contrariado, o menino continuou. Esta ação repetiu-se com várias crianças. Cada pai ou mãe, sem exceção, puxava-os e continuavam.

Durante estes 45 minutos apenas seis pessoas pararam e ficaram um pouco a ouvi-lo. Só cerca de vinte pessoas é que foram generosas e deram dinheiro, continuando a andar apressadamente. No fim o espectáculo rendeu 32 dólares.

Uma hora depois parou de tocar e o silêncio voltou à estação. Ninguém reparou, ninguém aplaudiu e ninguém o reconheceu. Ninguém sabia disto mas o violinista era Joshua Bell, um dos mais talentosos músicos do mundo que tocou as mais intrincadas peças jamais compostas para violino. O violino com que tocou valia 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes tinha esgotado um teatro em Boston onde o preço médio dos bilhetes era de 100 USD.

Joshua Bell tocou incógnito numa estação do metro a convite do jornal Washington Post participando numa experiencia social sobre perceção, gosto e prioridade das pessoas.

Pretendia-se saber se num lugar-comum, a uma hora inapropriada, nos apercebemos da arte e da beleza? Paramos para apreciá-la? Reconhecemos talento num contexto inesperado?

 

A conclusão óbvia a que o jornal chegou é que se não temos uns minutos para parar e ouvir um dos melhores músicos do mundo a tocar as músicas mais complexas alguma vez escritas, e com um dos instrumentos mais apurados jamais fabricados, quantas outras coisas não estamos a perder?

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